Pesquisas sobre as línguas de sinais vêm mostrando que estas línguas são comparáveis em complexidade e expressividade a quaisquer línguas orais. Estas línguas expressam idéias sutis, complexas e abstratas. Acredita-se também que somente existe uma língua de sinais no mundo, mas assim como as pessoas ouvintes em países diferentes falam diferentes línguas, também as pessoas surdas por toda parte do mundo, que estão inseridas em “Culturas Surdas”, possuem suas próprias línguas, existindo, portanto muitas línguas diferentes. A Cultura Surda é muito recente no Brasil.
Embora cada língua de sinais tenha sua própria estrutura gramatical, surdos de países com línguas de sinais diferentes comunicam-se com mais facilidade uns com os outros. A LIBRAS, como toda língua de sinais, é uma língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais. Todas as línguas possuem diferenças quanto ao seu uso em relação à região, ao grupo social, à faixa etária e ao gênero. Uma pessoa surda não equivale a dizer que faça parte de uma Cultura e de uma Comunidade Surda.
Ser Surdo é saber que pode falar com as mãos e aprender uma língua oral-auditiva. É conviver com pessoas que, em um universo de barulhos, deparam-se com pessoas que estão percebendo o mundo. Isso faz com que eles sejam diferentes e não necessariamente deficientes.
Todas as línguas se edificam a partir de universais lingüísticos, variando apenas em termos de sua modalidade (oral-auditiva ou gestual-visual) e suas gramáticas. As línguas se transformam a partir das comunidades lingüísticas que a utilizam. Uma criança surda precisará se integrar à Comunidade Surda de sua cidade para poder ficar com um bom desempenho na língua de sinais desta comunidade.
Na verdade, os pontos de vista sobre a surdez variam de acordo com as diferentes épocas e os grupos sociais no qual são produzidos. Estas representações darão origem a diferentes práticas sociais, que limitarão ou ampliarão o universo de possibilidades e exercício de cidadania das pessoas surdas.
A competência da pessoa auditiva é classificada como: normal, perda leve, moderada, severa e profunda. A surdez severa e profunda impede que o aluno adquira, naturalmente, a linguagem oral. O domínio da linguagem oral irá permitir sua plena integração na sociedade, uma vez que essa é a forma de comunicação entre as pessoas. O desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem está subordinado ao aprendizado da linguagem oral.
Os objetivos de educação dos surdos reduziam-se à praticas corretivas e de estimulação oral-auditiva, em um encaminhamento metodológico que se convencionou chamar de oralismo.
Durante anos, o mito de que a língua de sinais impediria aquisição da língua oral pelas crianças surdas, impediu a sua utilização no processo educacional. A língua de sinais não era considerada uma língua, mas um conjunto de gestos icônicos, sem estrutura interna e com a função de comunicar apenas conteúdos concretos. Atualmente, a lingüística da Língua de Sinais é uma disciplina em expansão no mundo todo e suas pesquisas demonstram a importância dessa língua na constituição do sujeito surdo.
Ao pensar na educação de surdos é importante refletir na postura do professor na sala de aula. É preciso ter cuidado para não tirar conclusões apressadas e infundadas, no cotidiano escolar, atribuindo apenas ao aluno a culpa por seu “fracasso escolar”. Se o aluno surdo não apresenta um desenvolvimento cognitivo compatível com aquele considerado próprio de seus colegas da mesma idade, isto não se deve a sua deficiência auditiva, mas sim, à deficiência cultural de seu grupo social que foi incapaz de proporcionar-lhe o acesso no momento devido, a uma língua natural – a língua de sinais – que edificasse as bases para um desenvolvimento lingüístico e, consequentemente, cognitivo normais. Deve-se ter claro que a linguagem e o pensamento são processos interdependentes e desenvolvem-se mutuamente, alimentando um ao outro. Se tomarmos apenas a linguagem oral como requisito para o desenvolvimento do pensamento, veremos que muitos surdos apresentarão, generalizadamente, problemas de comunicação, conceituação, abstração, memória e raciocínio lógico. Somente através do acesso precoce à língua de sinais é que os surdos poderão desenvolver a linguagem nos mesmos moldes e padrões das crianças ouvintes, sem prejuízo ao seu processo de aquisição.
O professor de alunos surdos que conhecer a língua de sinais certamente terá ampliada a capacidade de interação verbal com seus alunos, em todas as situações de aprendizagem. Alem da língua de sinais, meio privilegiado de interação simbólica, diferentes formas de comunicação que utilizam outros códigos visuais deverão estar presentes na sala de aula, beneficiando a relação professor / aluno surdo e demais alunos.
Diante disso, o professor deve lançar mão de todos os recursos e estratégias visuais que acompanham a oralidade, pois, ao contrario, seu aluno surdo em nada se beneficiará das aulas.
A língua de sinais, oferecendo as possibilidades de constituição de significado, cumpre um papel fundamental no desenvolvimento lingüístico, cognitivo e emocional dos alunos surdos, não podendo ser ignorada pelo professor em qualquer ato de interação com eles. Aí está a importância de o professor conhece a historia de vida dos seus alunos, compreendendo o seu completo desenvovimento, a fim de tomar decisões educacionais mais adequada em relação às suas necessidades.
Considerações finais
Trabalhar em favor da educação de pessoas surdas, é um desafio muito mais que especial, é uma oportunidade ímpar que a escola tem de abolir o preconceito e de promover a igualdade de direitos. As questões educacionais relacionadas ao atendimento especializado dos alunos surdos vem se acentuando a cada dia em nível mundial, esta é uma realidade inquestionável que aponta para a importância de se proporcionar ambientes de aprendizagem heterogêneos, com adaptações de práticas pedagógicas diferenciadas, com professores especializados, recursos e equipamentos compatíveis. Ou seja, a necessidade de se ampliar e de se reestruturar a escola para que ela realmente seja uma escola inclusiva que assegure as políticas de educação de qualidade para todos.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Salete. Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais de alunos surdos. Brasília: MEC/SEESP. 2005.
DAMÁZIO, Mirlene F.M. Atendimento Educacional Especializado/Pessoa com surdez. São Paulo: MEC/SEE. 2007.
EPROINFO: Ambiente Colaborativo de Aprendizagem. Disponível em:. Acesso em 2010.
QUADROS, Ronice Miiler de. Idéias para ensinar português para surdos. Brasília: MEC/SEESP. 2006.
Embora cada língua de sinais tenha sua própria estrutura gramatical, surdos de países com línguas de sinais diferentes comunicam-se com mais facilidade uns com os outros. A LIBRAS, como toda língua de sinais, é uma língua de modalidade gestual-visual que utiliza, como canal ou meio de comunicação, movimentos gestuais e expressões faciais. Todas as línguas possuem diferenças quanto ao seu uso em relação à região, ao grupo social, à faixa etária e ao gênero. Uma pessoa surda não equivale a dizer que faça parte de uma Cultura e de uma Comunidade Surda.
Ser Surdo é saber que pode falar com as mãos e aprender uma língua oral-auditiva. É conviver com pessoas que, em um universo de barulhos, deparam-se com pessoas que estão percebendo o mundo. Isso faz com que eles sejam diferentes e não necessariamente deficientes.
Todas as línguas se edificam a partir de universais lingüísticos, variando apenas em termos de sua modalidade (oral-auditiva ou gestual-visual) e suas gramáticas. As línguas se transformam a partir das comunidades lingüísticas que a utilizam. Uma criança surda precisará se integrar à Comunidade Surda de sua cidade para poder ficar com um bom desempenho na língua de sinais desta comunidade.
Na verdade, os pontos de vista sobre a surdez variam de acordo com as diferentes épocas e os grupos sociais no qual são produzidos. Estas representações darão origem a diferentes práticas sociais, que limitarão ou ampliarão o universo de possibilidades e exercício de cidadania das pessoas surdas.
A competência da pessoa auditiva é classificada como: normal, perda leve, moderada, severa e profunda. A surdez severa e profunda impede que o aluno adquira, naturalmente, a linguagem oral. O domínio da linguagem oral irá permitir sua plena integração na sociedade, uma vez que essa é a forma de comunicação entre as pessoas. O desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem está subordinado ao aprendizado da linguagem oral.
Os objetivos de educação dos surdos reduziam-se à praticas corretivas e de estimulação oral-auditiva, em um encaminhamento metodológico que se convencionou chamar de oralismo.
Durante anos, o mito de que a língua de sinais impediria aquisição da língua oral pelas crianças surdas, impediu a sua utilização no processo educacional. A língua de sinais não era considerada uma língua, mas um conjunto de gestos icônicos, sem estrutura interna e com a função de comunicar apenas conteúdos concretos. Atualmente, a lingüística da Língua de Sinais é uma disciplina em expansão no mundo todo e suas pesquisas demonstram a importância dessa língua na constituição do sujeito surdo.
Ao pensar na educação de surdos é importante refletir na postura do professor na sala de aula. É preciso ter cuidado para não tirar conclusões apressadas e infundadas, no cotidiano escolar, atribuindo apenas ao aluno a culpa por seu “fracasso escolar”. Se o aluno surdo não apresenta um desenvolvimento cognitivo compatível com aquele considerado próprio de seus colegas da mesma idade, isto não se deve a sua deficiência auditiva, mas sim, à deficiência cultural de seu grupo social que foi incapaz de proporcionar-lhe o acesso no momento devido, a uma língua natural – a língua de sinais – que edificasse as bases para um desenvolvimento lingüístico e, consequentemente, cognitivo normais. Deve-se ter claro que a linguagem e o pensamento são processos interdependentes e desenvolvem-se mutuamente, alimentando um ao outro. Se tomarmos apenas a linguagem oral como requisito para o desenvolvimento do pensamento, veremos que muitos surdos apresentarão, generalizadamente, problemas de comunicação, conceituação, abstração, memória e raciocínio lógico. Somente através do acesso precoce à língua de sinais é que os surdos poderão desenvolver a linguagem nos mesmos moldes e padrões das crianças ouvintes, sem prejuízo ao seu processo de aquisição.
O professor de alunos surdos que conhecer a língua de sinais certamente terá ampliada a capacidade de interação verbal com seus alunos, em todas as situações de aprendizagem. Alem da língua de sinais, meio privilegiado de interação simbólica, diferentes formas de comunicação que utilizam outros códigos visuais deverão estar presentes na sala de aula, beneficiando a relação professor / aluno surdo e demais alunos.
Diante disso, o professor deve lançar mão de todos os recursos e estratégias visuais que acompanham a oralidade, pois, ao contrario, seu aluno surdo em nada se beneficiará das aulas.
A língua de sinais, oferecendo as possibilidades de constituição de significado, cumpre um papel fundamental no desenvolvimento lingüístico, cognitivo e emocional dos alunos surdos, não podendo ser ignorada pelo professor em qualquer ato de interação com eles. Aí está a importância de o professor conhece a historia de vida dos seus alunos, compreendendo o seu completo desenvovimento, a fim de tomar decisões educacionais mais adequada em relação às suas necessidades.
Considerações finais
Trabalhar em favor da educação de pessoas surdas, é um desafio muito mais que especial, é uma oportunidade ímpar que a escola tem de abolir o preconceito e de promover a igualdade de direitos. As questões educacionais relacionadas ao atendimento especializado dos alunos surdos vem se acentuando a cada dia em nível mundial, esta é uma realidade inquestionável que aponta para a importância de se proporcionar ambientes de aprendizagem heterogêneos, com adaptações de práticas pedagógicas diferenciadas, com professores especializados, recursos e equipamentos compatíveis. Ou seja, a necessidade de se ampliar e de se reestruturar a escola para que ela realmente seja uma escola inclusiva que assegure as políticas de educação de qualidade para todos.
REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Salete. Desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais de alunos surdos. Brasília: MEC/SEESP. 2005.
DAMÁZIO, Mirlene F.M. Atendimento Educacional Especializado/Pessoa com surdez. São Paulo: MEC/SEE. 2007.
EPROINFO: Ambiente Colaborativo de Aprendizagem. Disponível em:
QUADROS, Ronice Miiler de. Idéias para ensinar português para surdos. Brasília: MEC/SEESP. 2006.
